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Uma extinta e conhecida casa noturna de Florianópolis, o Underground, terá um de seus ambientes recriado para a terceira edição da exposição Making Of 3, produzida pelo Museu da Imagem e do Som (MIS/SC). A abertura ocorrerá no dia 13 de março, com direito a show com as bandas Superbug e The Dolls. A data coincide com o dia em que a balada, localizada na Lagoa da Conceição, abriu as portas pela última vez. A entrada é gratuita e a exposição segue aberta até o dia 12 de maio, com classificação indicativa recomendada para 12 anos.

Making Of apresenta objetos de cenas, fotografias, materiais inéditos de arquivo e pesquisa e outros itens usados na produção de cinco filmes catarinenses. Os filmes, que também estão em exibição na mostra, fazem parte do acervo do MIS/SC e foram produzidos com recursos do Edital Prêmio Catarinense de Cinema.

Dentre as produções escolhidas para esta edição, estão três documentários: Antonieta, de Flávia Person, sobre Antonieta de Barros (1901-1952), primeira negra a assumir um mandato popular no país; Larfiagem, de Gabi Bresola, a respeito de uma língua curiosa inventada por um grupo de crianças na década de 1950 e falada até hoje no município de Herval do Oeste (SC); e Aquela Mistura, de Lucas de Barros e Fábio Bianchini Mattos, que aborda o principal cenário da música underground de Florianópolis na virada do século - e cujo lançamento ocorrerá também dentro da programação da mostra, no dia 15 de março, com shows das bandas Os Cafonas e Eutha. Ainda estão representadas na exposição duas ficções que fazem uma espécie de “viagem no tempo”, proporcionada tanto por suas histórias, estéticas ou procedimentos narrativos, quanto pela descoberta de uma antiga fita VHS ou pelo imaginário pós-apocalíptico tão presente no audiovisual contemporâneo: Sal, de Danilo Mello, e Aniversário do Pedro, de Cíntia Domit Bittar.

Mais do que exibir os filmes e objetos utilizados nas gravações, a ideia é criar uma ambientação que remeta ao que é visto na tela e também ao que não se pode ver nela: o processo de realização de cada filme.

Larfiagem
Ombu Produção em parceria com Magnólia Produções, 2017.
Documentário, 19 min, Cor, Livre.
Engraxates, carregadores de malas e outras crianças de 7 a 15 anos de idade conviviam com viajantes da estação ferroviária de Herval d´Oeste nos anos de 1950. Para sobreviver, comprar gibis e ir ao cinema, driblar fiscais, policiais e até os próprios pais, inventaram uma língua própria. Hoje, décadas depois, a Larfiagem aparece como memória de seus últimos falantes, agora adultos, mas que ainda conhecem, ensinam e decifram os segredos de seus substantivos e pronomes.
Direção: Gabi Bresola | Ass. de Direção: Adriane Canan | Produção Executiva: Flávia Person | Ass. de Produção: Matias Eastman Boeing e Natália Poli | Produção local: Omar Dimbarre | Direção de Fotografia: Felipe Vernizzi | 2ª Câmera/Still: Fábio Brüggemann | Ass. de Fotografia: Tiajaru Verdi | Som direto: Marcelo Téo | Trilha: Dimitri Camorlinga e Jefferson Nefferkturu | Edição e Finalização: Alan Lagndon | Pesquisa: Dennis Radünz e Gabi Bresola

Antonieta
Ombu Produção em parceria com Magnólia Produções, 2016.
Documentário, 15 min, Preto e Branco, Livre
O documentário “Antonieta” aborda a trajetória de Antonieta de Barros (1901-1952), mulher, negra, professora, cronista, feminista e em 1935 se tornou a primeira negra a assumir um mandato popular no país.
Direção: Flávia Person | Montagem: Yannet Briggiler | Edição de Som e Trilha Sonora: Diogo de Haro | Pesquisa e Consultoria Histórica: Fausto D. Corrêa Jr. | Ass. de Produção: Gabi Bressola e Matias Eastman | Preparação Vocal: Barbara Biscaro | Edição de Texto: Fábio Brüggemann | Mixagem: Diogo de Haro e Paulo C. Franco (Estúdio Ouié) | Ass. de Comunicação: Barbara Pettres

Sal
Independente, 2017.
Ficção, 19min, Cor, Livre.
Depois de viver muito tempo sozinho, Sal encontra um jovem desacordado na beira da praia. Enquanto explica ao jovem o que ocorreu com o mundo, Sal descobre que o passado não está tão distante assim.
Roteiro e Direção: Danilo Mello | Ass. de Direção: Samara Hartt | Produção: Danilo Mello e Samara Hartt | Direção de Fotografia: Felipe Tonin | Ass. de Fotografia: Lucas Tesser e Michele Diniz | Direção de Arte: Samara Hartt | Figurino: Samara Hartt e Ariel Schloegel | Continuísta: Vanessa Gasparelo | Maquinária: Leonardo Sagaz | Maquiagem: Ariel Schloegel | Técnico de Som: Gabriel Dutra | Fotografia Still: Carolina Arruda | Logger: Michele Diniz | Edição e Finalização: Danilo Mello | Correção de Cor: Danilo Mello e Felipe Tonin | Efeitos Visuais: Danilo Mello | Edição de Som: Gabriel Dutra | Trilha Sonora e Musical: Gabriel Dutra

Aquela Mistura
Lucas de Barros e Fábio Bianchini, 2019.
Documentário, 68 min, Cor, 12 anos
Na segunda metade dos anos 90, em Florianópolis, existiram dois bares que foram referências para toda uma cena musical independente no estado; o histórico e polêmico "Trópicos" que se transformou no mitológico "Underground Rock Bar" (popular bar do Franck) - símbolos de um original movimento cultural e comportamental que desafiou estereótipos e padrões atribuídos a uma cidade quase nunca associada ao cenário independente roqueiro.
Direção: Lucas de Barros e Fábio Bianchini Mattos | Produção: Carol Gesser e Fábio Bianchini

Aniversário de Pedro
Novelo Filmes, 2017
Ficção, 10 min, Stereo, Cor, Livre
O registro em VHS do aniversário dos 9 anos de Pedro ganha uma camada perturbadora quando sua irmã Rúbia usa a mesma fita para tentar gravar aquilo que assombra a casa onde vivem.
Direção e Roteiro: Cíntia Domit Bittar | Produção Executiva e Direção de Produção: Ana Paula Mendes | Ass. de Produção: Marino Mondek e Maria Augusta V. Nunes | Direção de Fotografia: Marx Vamerlatti | Câmera: Marx Vamerlatti e Chico Caprário | Ass. de Câmera: Lucas de Barros | Som Direto: Nivaldo Oliveira | Produção de Arte: Maria Fernanda Bin, Ana Paula Mendes e Maria Augusta V. Nunes | Cabelo: Leila Marice | Maquiagem: Ingrid Romancini | Consultoria Pós-Produção: Lucas de Barros | Montagem e Finalização: Cíntia Domit Bittar

Sobre as bandas

Eutha: a banda Eutha (ex-Euthanasia) está completando 27 anos em 2019. O primeiro ensaio foi no Carnaval de 1992, em São José, na Grande Florianópolis. Representando a velha guarda do som pesado de Floripa, Eutha tem um repertório de hardcore old school, metal e punk, com influências de elementos do hip-hop, reggae, funk70, grindcore, death metal, música eletrônica e industrial, e letras que abordam o cotidiano. A banda é formada por Marcelo Mancha (baixo e voz), Jean Martins (guitarra e voz), Heráclito Maia (percussão, sampler e voz), e Johnny Duluti (bateria e voz).

Eutha já dividiu o palco com bandas como os nova iorquinos do Dog Eat Dog, os texanos do World Burns to Death, os californianos do Good Riddance e do The Adolescents, a lenda punk hardcore Riistetyt da Finlândia e ainda Vitamin-X e Terrorgroupp da Holanda. Do cenário nacional, destaque para shows com Ratos de Porão, BNegão, Sepultura, Pavilhão 9, Dead Fish, Garotos Podres, Marcelo D2, Raimundos, entre outras.

The Dolls: a banda nasceu e aprendeu a tocar no Underground Rock Bar. Foi lá que fizeram seus primeiros ensaios e os primeiros shows e eram uma das principais atrações da casa. Tocam um rock visceral, inspirado no protopunk.

Superbug: estava no palco no primeiro show do Trópicos e no último do Underground. O quarteto faz uma espécie de punk preguiçoso e pop.

Os Cafonas: são os reis do trunk'a'billy de Florianópolis, até porque só eles tocam esse negócio: rock'n'roll divertido e dançante com letras sobrenaturais e surreais.

Serviço:

O quê: Exposição Making Of 3
Onde: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS) - Localizado no Centro Integrado de Cultura (CIC)
Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600 - Agronômica - Florianópolis (SC)
Abertura: 13/03/2019, às 19h30. Com shows das bandas Superbug e The Dolls
Visitação: até 12/05/2019. De terça-feira a domingo, das 10h às 21h.
Classificação indicativa: 12 anos
Entrada gratuita
Mais informações: (48) 3664-2650

O LP Carnaval da Ilha, de 1981, é a trilha sonora da edição 79 do programa MISCUTA, produzido pela Assessoria de Comunicação da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e pelo Museu da Imagem e do Som (MIS/SC). A exibição aconteceu na segunda-feira (4), às 18h, na Rádio UDESC FM de Florianópolis (100.1).

O disco produzido pelo célebre cantor e compositor Luiz Henrique Rosa foi o primeiro Long Playing gravado em Florianópolis com músicas de compositores catarinenses. A raridade faz parte do acervo de mais de 5 mil discos do MIS/SC.

Entre as faixas que fazem parte do programa da segunda-feira de Carnaval estão composições de Zininho, Mirandinha, Castelan, Osmar Silva, Deto, Rui Neves, Tuca e Coronel Kel. Já do lado dos intérpretes, o público ouviu as vozes de Neide Mariarrosa acompanhada pelo conjunto Teleband, Sávio e o Band Show, Jairo Silva (Mecha Branca) com o conjunto de Aldo Gonzaga.

Após a exibição pela UDESC FM, o MISCUTA fica disponível para o público também na capa do site da FCC, na seção de áudios.

A exposição Escolhidos pela Capa, no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC) termina neste domingo, 17 de fevereiro. Na produção da mostra, os DJs  curadores convidados Marcelo Pimenta, Grazi Meyer, Jean Mafra, Felipe Martins e Gustavo Monteiro, selecionaram o material entre os cerca de cinco mil discos de vinil do acervo do museu. Cada DJ/curador apresenta, assim, um painel com 84 capas divido em sete eixos temáticos de seleção, independentes ou não do conteúdo musical dos álbuns. 

As capas

A produção dos primeiros discos, em goma-laca 78 RPM (rotações por minuto), era feita como qualquer outro produto e suas capas tinham a função básica de identificar o nome do artista e servir como embalagem/proteção para o material, que era extremamente frágil. No fim da década de 1930, o designer nova iorquino Alex Steinweiss, da gravadora Columbia Records, entendeu algo que hoje nos parece óbvio: a embalagem é uma ótima maneira de encantar o consumidor.

Ao longo do tempo, as capas tornaram-se tão importantes quanto o disco em si, atingindo seu auge nos anos 1960 e 1970, quando artistas consagrados passaram a ser contratados para criar artes exclusivas e inovadoras para os discos de vinil. Hoje, mesmo na era digital, as capas dos discos já estão de tal maneira presentes no nosso imaginário que até os novos formatos com arquivos e aplicativos que facilitam o acesso à música ainda destinam um espaço a elas, ao mesmo tempo em que vemos ressurgir lançamentos de álbuns atuais em LP.

Serviço:

O quê: Exposição Escolhidos pela Capa
Onde: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC) - Localizado no Centro Integrado de Cultura (CIC)
Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600 - Agronômica - Florianópolis 
Abertura: 20 de dezembro de 2018, às 20h
Visitação: de 21 de dezembro de 2018 a 17 de fevereiro de 2019. De terça-feira a domingo, das 10h às 21h.
Entrada gratuita / Classificação Indicativa: 12 anos
Mais informações: (48) 3664-2650.

Para encerrar em grande estilo a mostra Escolhidos pela Capa, em cartaz no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC), será realizada uma festa na quinta-feira, 14, a partir das 20h. Os DJs que foram convidados a fazer a curadoria da exposição - Marcelo Pimenta, Grazi Meyer, Jean Mafra, Felipe Martins e Gustavo Monteiro - marcarão presença embalando o público em mais uma edição do projeto Discotecando no MIS. 

Na produção da mostra Escolhidos pela Capa, os curadores selecionaram o material entre os cerca de cinco mil discos de vinil do acervo do museu. Cada DJ/curador apresenta, assim, um painel com 84 capas divido em sete eixos temáticos de seleção, independentes ou não do conteúdo musical dos álbuns. A exposição termina no domingo, 17 de fevereiro.

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As capas

A produção dos primeiros discos, em goma-laca 78 RPM (rotações por minuto), era feita como qualquer outro produto e suas capas tinham a função básica de identificar o nome do artista e servir como embalagem/proteção para o material, que era extremamente frágil. No fim da década de 1930, o designer nova iorquino Alex Steinweiss, da gravadora Columbia Records, entendeu algo que hoje nos parece óbvio: a embalagem é uma ótima maneira de encantar o consumidor.

Ao longo do tempo, as capas tornaram-se tão importantes quanto o disco em si, atingindo seu auge nos anos 1960 e 1970, quando artistas consagrados passaram a ser contratados para criar artes exclusivas e inovadoras para os discos de vinil. Hoje, mesmo na era digital, as capas dos discos já estão de tal maneira presentes no nosso imaginário que até os novos formatos com arquivos e aplicativos que facilitam o acesso à música ainda destinam um espaço a elas, ao mesmo tempo em que vemos ressurgir lançamentos de álbuns atuais em LP.

 

 Pequena feira

Ainda durante o Discotecando no MIS, um dos responsáveis pela Feira de Vinil de Florianópolis, Jair Fontão Neto,  oferece o set Brazilian Explosion, supergroovesjazzys e uma seleção de 600 discos que estarão à venda. 

Serviço:

Discotecando no MIS
Onde: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC) - Localizado no Centro Integrado de Cultura (CIC)
Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600 - Agronômica - Florianópolis 
Horário: 20h
Classificação Indicativa: 14 anos
Entrada gratuita.

Espaço de expressão de designers, fotógrafos e artistas visuais, as capas de discos que fizeram história na música nacional e internacional são o destaque da exposição Escolhidos pela Capa, que o Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC) apresenta até 17 de fevereiro no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis. A mostra tem a curadoria dos DJs Marcelo Pimenta, Grazi Meyer, Jean Mafra, Felipe Martins e Gustavo Monteiro, que selecionaram o material entre os cerca de 5 mil discos do acervo do Museu.

Os DJs convidados pelo Museu para participar desta exposição também já foram parceiros em outra iniciativa: o projeto Discotecando no MIS, que divulga o conteúdo musical desses álbuns em festas realizadas no espaço expositivo do MIS/SC periodicamente. Desta vez, o propósito é enfatizar o conteúdo das capas. Cada DJ/curador apresenta um painel com 84 capas, divido em sete eixos temáticos de seleção, independentes ou não do conteúdo musical dos "bolachões".

Escolhidos pela capa traz à tona tendências estéticas, conceituais e narrativas de época e, ainda, questões atuais que perpassam a construção da cultura de massa. Cada DJ propõe, por meio de sua curadoria, um revisitar crítico sobre essas questões, sendo a antítese mesma ao título e proposta dessa exposição.

A expoição conta, ainda, com duas TVs exibindo capas e músicas de discos em exposição, projeções de fotos das edições do Discotecando no MIS, pista de dança com musica ambiente e exposição de vitrolas do acervo do Museu. A produção catarinense também terá espaço com a exibição dos melhores álbuns, EPs e singles de 2018, lançados pelo portal Rifferama (rifferama.com), especializado em música catarinense, parceiro e apoiador do MIS-SC.

As capas

A produção dos primeiros discos, em goma-laca 78 RPM (rotações por minuto), era feita como qualquer outro produto e suas capas tinham a função básica de identificar o nome do artista e servir como embalagem/proteção para o material, que era extremamente frágil. No fim da década de 1930, o designer nova iorquino Alex Steinweiss, da gravadora Columbia Records, entendeu algo que hoje nos parece óbvio: a embalagem é uma ótima maneira de encantar o consumidor.

Ao longo do tempo, as capas tornaram-se tão importantes quanto o disco em si, atingindo seu auge nos anos 1960 e 1970, quando artistas consagrados passaram a ser contratados para criar artes exclusivas e inovadoras para os discos de vinil. Hoje, mesmo na era digital, as capas dos discos já estão de tal maneira presentes no nosso imaginário que até os novos formatos com arquivos e aplicativos que facilitam o acesso à música ainda destinam um espaço a elas, ao mesmo tempo em que vemos ressurgir lançamentos de álbuns atuais em LP.


DJs e suas escolhas


DJ Marcelo Pimenta
Morador de Florianópolis há 16 anos, o mineiro Marcelo Pimenta, é o criador do projeto Nação Balanço, em 2005, que circulou por várias casas durantes muitos anos na Ilha. Desde então, muitos foram os desdobramentos desse projeto e as viradas em sua carreira que também incluem a participação em vários shows locais, nacionais e internacionais.

Para a exposição não poderia ser diferente: Pimenta dará ênfase à música brasileira, traduzindo-a também em cores e imagens. "Viajar pelo universo musical como 'pesquisador' é algo viciante e maravilhoso. A imersão é tamanha, que são necessários dispositivos de resgate para o mundo 'real'", explica. "O Brasil, nesse ano de 2018, foi cenário de tantos desafios, frustrações e desilusões. De modo que eu não poderia deixar de retratá-los aqui, mesmo que minimamente, com um pingo de humor, política, sexualidade, fake news, gente, amores e futuro. Nesse Brasil de tantas caras, cores e sons: Quem somos? E o que seremos em 2019?", complementa o DJ.

DJ Grazi Meyer
Além de DJ, é atriz, performer, professora de pole e dança, sócia proprietária do Maravilhosas Pole-Dança e criadora do Maravilhosas Corpo de Baile - um coletivo ARtivista Feminista que por meio da dança e do encontro promove o resgate e a ampliação da autoestima feminina. E é justamente o universo da produção musical protagonizada por mulheres que Grazi traz para a exposição.

"Nascer, ser lida como, tornar-se mulher... é existir num estado eterno de inadequação. Somos consideradas fracas, inaptas, incapazes, menores, menos importantes. Somos objetificadas e tiradas da condição de sujeito das nossas próprias vivências. A participação da mulher na sociedade, comumente é vista como acessório, somos vistas como musas que inspiram, não como artistas criadoras; como as que apoiam e estão sempre ao lado de um grande homem, criando os meios necessários para que as obras primas sejam possíveis e não como seres pensantes, pulsantes, com histórias para contar e talentos a explorar", diz Grazi. A DJ explica que buscou mulheres que representassem o feminino e encontrou alguns homens que se permitiram estar ao lado do feminino, a experimentar, mesmo que brevemente, a não masculinidade. "E afinal de contas: O que é uma mulher? Uma mulher é sempre uma mulher?", questiona.

DJ Jean Mafra
DJ, músico e pesquisador. Trabalha na área musical desde 2005. Compõe, produz, pesquisa e discoteca. Criador da Samambaia Sound Club, banda na qual foi vocalista e compositor, gravando 2 CDs e realizando mais de duas centenas de shows por todos os estados do sul e sudeste. Foi um dos responsáveis pelo coletivo de bandas Clube da Luta, gravou diversos trabalhos solo e em parceria com outros artistas, atua como produtor e discoteca regularmente mixando música brasileira, eletro, pop, entre outros ritmos.

"O Brazil não conhece o Brasil", a partir da citação de Querelas do Brasil, gravada por Elis Regina, Jean apresenta seu conceito para esta exposição. "Sou dos que pesquisa canções e discos, procura novos e velhos artistas e tenta organizá-los, amalgamá-los em momentos em que o DJ, tipo eu, é o Xamã que sente a pista como um corpo com febre e o incendeia rumo ao êxtase. A pista é uma metáfora também. Assim como o Brasil, com z ou com s", pontua. "O Brasil é caipira-pira-pora para enfeitar a noite do meu bem. É um país que olha pra si através de um espelho que lhe tenta transformar em outro: ora mais branco e menos 'latino', ora mais francês ou norte-americano e menos afrodescendente ou Tupi-guarani", diz Jean.

DJ Felipe Martins
Dono de um repertório quente e altamente dançante, traz no seu trabalho a versatilidade reconhecida no meio profissional, assim como sua ideologia de trabalho que valoriza a cultura brasileira e os ritmos nacionais. Com base na música negra, seu estilo abrange o universo da música brasileira e ritmos latinos em geral. Possui um vasto repertório, que vai de raridades ao que há de mais novo, sempre interessado pelas mais novas tecnologias e tendências musicais. Ao longo de seus quase 10 anos de pista já dividiu espaço com artistas como Emicida, Marcelo D2, B. Negão, Tropkillaz, DJ CIA (RZO), Kl Jay (Racionais MCs), Black Alien, Karol Conka, Tahira, Donavon Frankenreiter, As Bahias e a Cozinha Mineira, Criolo, DJ Nuts, Di Melo, entre outros. Atualmente, Felipe é residente na festa BAILA, em Florianópolis, e participa das principais festas do Lagoa-Caraíva, Bahia.

O DJ aborda, em sua contribuição para a mostra, questões da atualidade. “O que já foi tabu? O que não é mais? O que ainda é? E o que voltou a ser? Minhas escolhas refletem questões mais atuais do que nunca, embora sempre estivessem aí: corpo, sexualidade, objetificação, o lugar da mulher na sociedade, a construção e desconstrução da masculinidade e o conceito de família. Como construímos essas imagens? Como olhamos para elas? Como elas nos olham? Essas imagens nos constroem ou somos construídos por elas?", questiona.

DJ Gustavo Monteiro
Gustavo Monteiro era o DJ que comandava as festas do Clube da Luta, um dos principais movimentos/coletivos de música autoral catarinense. Usando o codinome Zé Pereira, embalava o intervalo entre as bandas e finalizava as festas com o tradicional "bailinho do Zé Pereira". Hoje, a presença de Gustavo Monteiro é constante nas principais festas do cenário musical alternativo de Florianópolis.

Gustavo Monteiro cresceu em meio à coleção de discos dos pais. Os LPs foram sua "babá". "Eles trabalhavam fora o dia inteiro e eu ficava ‘sozinho’ com os discos", relembra.

Para a exposição, Gustavo reviveu as lembranças das tardes que passou na companhia dos discos daquilo que sempre o atraiu nas capas: o design dos letreiros dos discos e das bandas. "As fotografias em preto e branco me lembram muito do cinema mais antigo, de que também gosto bastante. Também me chamavam a atenção as paisagens e a psicodelia, referências à música e a outras culturas e etnias que fugiam do contexto de Estados Unidos e Inglaterra”, completa.


Serviço:

O quê: Exposição Escolhidos pela Capa
Onde: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC) - Localizado no Centro Integrado de Cultura (CIC)
Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600 - Agronômica - Florianópolis
Visitação: de 21 de dezembro de 2018 a 17 de fevereiro de 2019. De terça-feira a domingo, das 10h às 21h.
Classificação Indicativa: 12 anos
Entrada gratuita
Mais informações: (48) 3664-2650