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Para encerrar a mostra “O Mundo como Armazém”, o 16º Armazém realiza feira e seminário nos dias 8 e 9 de junho, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis (SC). A ideia é aprofundar reflexões em torno da exposição que propõe investigações e relações entre publicação de artista, o múltiplo, arquivo e coleção. Referências nas práticas artísticas e nos trabalhos que associam literatura e artes visuais, os pesquisadores e artistas Ricardo Corona, Amir Cadôr, Márcia Sousa, Helene Sacco, Élida Tessler e o coletivo Lugares Livro estarão reunidos no seminário Diálogos sobre o Múltiplo e Publicações de Artista.

O seminário ocorre nas manhãs de sexta e sábado, entre 9h e 12h. À tarde, entre 13h e 20h, fica reservada à visitação da Feira do Múltiplo e Publicações de Artista. A primeira manhã reúne Ricardo Corona (Editora Medusa) e Amir Cadôr. A segunda, congrega as experiências de Marcia Sousa, Helene Sacco (Lugares Livro) e Elida Tessler. A proposta é que cada faça um breve histórico de seus projetos e trajetórias, abrindo o debate.

No campo institucional, o evento integra a programação de 70 anos do Museu de Arte de Santa Catarina, tem o apoio do edital Elisabete Anderle de Estímulo a Cultura 2017 e do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais (PPGAV), do Centro de Artes (Ceart), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Em consonância aos propósitos da exposição, o projeto do pós-doutorado de Juliana Crispe, idealizadora do Armazém, é supervisionado por Raquel Stolf.

A Feira de Múltiplos e Publicações de Artista oferece boa oportunidade de compra com preços variáveis. Desde obras distribuídas gratuitamente a obras no valor máximo de R$ 250,00, a feira estimula a aquisição de trabalhos artísticos que, por sua reprodutibilidade, se tornam mais acessíveis ao público. Juliana Crispe, uma das coordenadoras do Armazém, destaca o valor das ações da 16ª edição do projeto pelo seu conjunto e pelo grande encontro entre os participantes inscritos, artistas, coletivos e editoras independentes. “Além da troca proposta aos visitantes, a feira busca estimular contatos e diálogo entre os criadores e suas obras.

SOBRE OS CONVIDADOS:

Amir Brito Cadôr (São Paulo, 1976) - graduado em artes plásticas pela Unicamp, onde também fez o mestrado; doutorado na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde atua como professor de artes gráficas e curador da Coleção Livro de Artista. Participou de mostras coletivas de gravura e de poesia visual em Belo Horizonte, Campinas, Curitiba e Santos, além de mostras de livro de artista na Espanha, França, México e Estados Unidos. Em 2011 realizou exposição individual em Belo Horizonte. Traduziu "A Nova Arte de Fazer Livros", de Ulises Carrión. Atua como editor, tendo publicado dez livros pelas edições Andante, entre os quais se destacam “O Livro dos Seres Imaginários”, "A Night Visit to the Library", "Learn to Read Art" e "Elogio da Mão". Seu mais recente livro é "Uma História da Leitura".

Elida Tessler - mora e trabalha em Porto Alegre (RS). Manteve suas atividades como professora e pesquisadora (Bolsa de Produtividade em Pesquisa-CNPq) no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) entre 1993 e 2016. Sempre associou sua produção acadêmica à artística, vinculada à pesquisa em torno das questões que envolvem arte e literatura, relacionando a palavra escrita à imagem visual. Coordenou o grupo de pesquisa .p.a.r.t.e.s.c.r.i.t.a. por cerca de 15 anos. Entre 1993 e 2009, em Porto Alegre, coordenou, com o artista Jailton Moreira, o Torreão, espaço de produção e reflexão em arte contemporânea. Fez doutorado na Université de Paris I (1988-1993) e pós-doutorado na EHESS e na Université de Paris I junto ao Centro de Filosofia da Arte. A partir da publicação de “Falas Inacabadas – Objetos e um Poema” com Manoel Ricardo de Lima (Tomo Editorial,2000), mantém forte vínculo com escritores e publicações de artista. Entre as principais exposições individuais, “Gramática Intuitiva”, na Fundação Iberê Camargo (2013), “365”, na Galeria Bolsa de Arte de Porto Alegre (2015), “Recortar Copiar Colar”, na Galeria Bolsa de Arte de São Paulo (2017).

Helene Sacco - (Canguçu/RS – 1975) artista e pesquisadora, é doutora em artes visuais pela UFRGS. Mora em Pelotas (RS) onde atua como professora adjunta na graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel). Coordena a Pesquisa chamada Lugares-livro: dimensões materiais e poéticas (2013). Desenvolve produção artística com trabalhos que articulam objetos, desenho e escrita, bem como publicações artísticas que buscam pensar sobre a produção de objetos e sua implicação nos modos de vida. Entre as principais exposições estão “Objetocoisa”, no Espaço de Artes Visuais da UFCSPA, Porto Alegre, 2016; “Gabinetes de Papel”, na Sala de Leitura/Sala de Escuta, no Centro de Artes (Ceart) da Udesc, Florianópolis, 2016; “Paralelo 31°: Circuitos Compartilhados em Trânsito”, MAC, Porto Alegre, 2013; “Gabinete de Inventário em Desenhobjeto”, na Secult/Pelotas, 2013; “Economia da Montagem: Monumentos, Galerias, Objetos”, Margs, Porto Alegre, 2012; “Arte Sul Contemporânea”, MAC-RS, 2012 e “8ª Bienal do Mercosul”, Projeto Casa M, Porto Alegre, 2011.

Marcia Sousa - (Umuarama, PR, 1975). Vive e trabalha em Pelotas. Artista visual, pesquisadora e professora. Graduada em gravura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná e em comunicação social pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mestre em processos artísticos contemporâneos pela Udesc e doutora em poéticas visuais pela UFRGS. Professora da Ufpel, onde coordena o projeto de pesquisa Arte e Natureza: Proliferações e colabora com o projeto [Lugares-livro]: Dimensões Materiais e Poéticas, coordenado por Helene Sacco. Autora de “O Livro de Artista como Lugar Tátil”, publicação de sua pesquisa de mestrado (2011). Participa de projetos e exposições de artes visuais desde 1997, expondo em países como Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina, Portugal, Espanha, Estados Unidos, África do Sul e Polônia.

Ricardo Corona - atua nos campos poesia contemporânea brasileira e hispano-americana, estudos de relação entre as áreas artísticas (performance, poesia sonora, artes visuais, publicação), tradução, curadoria, linguagem e cultura. Publicou, entre outros, “Mandrágora” (2017) e “Poemúltiplo” (2014) e traduziu “Palavrarmais” (2017), de Cecilia Vicuña. Organizou a coleção “Independência: Quem Troca” (Funarte|Medusa, 2014), com publicações de Amabilis de Jesus, Clóvis Cunha, Eliana Borges, Marcos Martins e Yiftah Peled. Com Eliana Borges, edita a revista “Canguru”, dedicada à poesia, publicação e arte.

Lugares Livro - Trata-se de uma pesquisa coordenada por Helene Sacco no Centro de Artes (Cearte), da Ufpel sobre as Dimensões Poéticas e Materiais. "Artistas habitam o espaço do livro e igualmente propõem o habitar. Mas se um livro é um espaço no qual um leito, de modo geral, habita, de que forma essa experiência de imersão cria uma espacialidade? Que espacialidade é essa que o artista propõem naquilo que inventa e chama de livro? Tomando-nos muitas vezes de assalto, essa experiência nos desloca e realoca num espaço outro que é o da inserção. Inserção na narrativa, na textura do papel, no deslizar das páginas, no criar novas formas de páginas, ou, quem sabe, no criar não-páginas", escrevem Helene e Claudia Zimmer, artista colaboradora do projeto.

Agenda:

Seminário Diálogos sobre o Múltiplo e Publicações de Artista

Dia 8 de junho de 2018 (sexta), 9h às 12h.
Abertura da programação. Fala/conversa de Ricardo Corona (Editora Medusa) e Amir Cadôr. 13h30 às 20h – Feira de Múltiplo e visita à exposição

Dia 9 de junho de 2018 (sábado). 9h às 12h.
Fala/conversa de Marcia Sousa, Helene Sacco (Lugares Livro) e Elida Tessler. 13h30 às 20h – Feira de Múltiplo e visita à exposição/encerramento

Serviço

O quê: Seminário Diálogos sobre o Múltiplo e Publicações de Artista e Feira de Múltiplo

Quando: 8 e 9.6.2018, 9h às 12h

Onde: Cinema do Centro Integrado de Cultura, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis (SC), tel.:  3664-2555

Quanto: Gratuito.

 

O quê: 16º Armazém, projeto contemplado pelo Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura-2017 

Quando: Até 9 de junho de 2018, 13h às 20h
Onde: Museu de Arte de Santa Catarina – anexo Sala Lindolf Bell, Centro Integrado de Cultura, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis (SC), tel.: 3664-2555

Quanto: Gratuito

Realização:

Projeto Armazém, Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais/Udesc

Produção:

Lugar Específico

Apoio:

Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2017, Funcultural, Fundação Catarinense de Cultura e Governo do Estado de Santa Catarina


Apoio Cultural:

Departamento de Artes Visuais Ceart/Udesc, Espaço Cultural Armazém – Coletivo Elza, Farmácia Ponta do Goulart e Multicor Fine Art

Contatos:

Texto: Neri Pedroso

Nesta quinta-feira (24), às 17h, a 32ª Edição do projeto Gerações MASC - Museu em Movimento abordará a obra da desenhista e pintora Jarina Menezes. A apresentação ficará a cargo do filho, Carlos Holbein e da amiga da artista, Maria Lúcia Mourão.

Jarina Menezes foi essencialmente uma desenhista, embora trabalhasse com outras técnicas. Era amante do papel e com ele elaborou os melhores desenhos. Alguns estão registrados no livro do filho Carlos Holbein, intitulado “Jazz, Cinema & Utopia”.

Por ter sido uma grande admiradora de Picasso, Miró e do desenhista Hans Bellmer, Jarina provavelmente captou do inconsciente coletivo seus traços, apesar dos resultados finais serem distintos.
Além do Brasil, a artista expôs seus trabalhos na Espanha, Portugal e Bélgica. Foi selecionada, juntamente com outros 287 artistas do mundo, para participar do Museu Espanhol de Arte Contemporânea, em Madrid, em 1981.

Jarina recebeu importantes premiações, dentre elas, a Medalha de Ouro da Associação Brasileira de Desenho no ano de 1975, no Rio de Janeiro.
Foi presidente por duas vezes da Associação Catarinense de Artes Plásticas (Acap), fundada pelos artistas Martinho de Haro, Franklin Cascaes e Ernesto Meyer Filho.

Em dezembro de 2005, aos 78 anos, Jarina faleceu, deixando uma obra de reconhecida qualidade.

O filho, Carlos Holbein Antunes de Menezes, é o quinto dos sete filhos que Jarina Menezes teve no seu casamento com Holbein Menezes.

Carlos é professor e escritor, cearense, tem 66 anos. É funcionário público estadual concursado desde 2005, lotado na Secretaria de Estado da Educação. Atualmente, encontra-se à disposição da Fundação Catarinense de Cultura, na Gerência de Projetos.

 

Serviço

Gerações MASC
Quando: 24 de maio, às 17h
Local: Museu de Arte de Santa Catarina
Entrada gratuita.

 

Fonte: Ascom FCC

A 5ª edição do projeto Claraboia traz o professor/artista Zé kinceler (1961-2015) e o Coletivo Geodésica, com a ocupação intitulada “Em descontinuidade”. Partindo de uma ideia de arte colaborativa, Zé Kinceler deixou um legado de proposições para serem ativadas e compartilhadas com os visitantes. A partir destas proposições, o Coletivo Geodésica realizará uma série de atividades durante o período expositivo.

Dia 16 de maio, às 18h30
Aula aberta: O pensamento complexo de Edgar Morin e a Educação
Prof. Dr. Victor Julierme – PPGE/UFSC

Dias 10 e 24 de maio (quintas-feiras), das 10h às 12h
Laboratório Criativo
Encontros abertos com o Coletivo Geodésica que têm como proposta ativar processos criativos e vivenciar descontinuidades a partir dos temas “Terra”, “Dispositivo Relacional” e “Como fazer um amigo por meio da arte?”

Dia 17 de maio
Conversa/Ação: Terra
17h às 18h30 – Laboratório Criativo: Terra
19h às 21h – Como criar sua própria Terra?
Coletivo Geodésica e convidados que atuam em diferentes contextos, relacionarão questões do processo criativo que eram abordadas por Zé Kinceler a temas emergentes, pensando os desdobramentos do campo da arte no cruzamento com outros saberes.

 

Fonte: Ascom FCC

No dia 17 de maio será realizada mais uma edição dos Programas Públicos do Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), com a educadora Ana Beatriz Bahia. A atividade, que pretende discutir o uso dos games para fins educativos, será realizada a partir das 14h, com entrada gratuita, porém é necessário fazer inscrição. A oficina é direcionado a profissionais de museus, educadores, designers de games e estudantes de arte. 

Ana Beatriz Bahia é doutora em Educação (UFSC) e graduada em Artes Plásticas (Udesc). Cofundadora e diretora do estúdio Casthalia, pesquisa e desenvolve jogos digitais educativos há 20 anos. É autora de jogos recomendados pelo Ministério da Educação, como A mansão de Quelícera (www.quelicera.art.br). Desde 2002, atua como professora da área de Artes Visuais, atualmente na Udesc.

Games como dispositivo educativo
Ana Beatriz Bahia
Em tempos de hiperconectividade, crianças interagem com aplicativos e jogos digitais (games) antes mesmo de começarem a desenhar, ou de serem apresentadas a peças do nosso patrimônio artístico e cultural. Isto é mero problema a ser enfrentado? Ou é possível levar os games ‘a sério’, explorando-os como dispositivo educativo?
Em diálogo com a 16ª Semana de Museus: Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos (Ibram), a oficina aborda os jogos digitais (games) no contexto da educação não-formal (museus, centros culturais, etc.). O tema será discutido a partir de referências teórico-metodológicas das áreas de educação e artes visuais, articulando contribuições dos emergentes campos de game studies e game design. Estratégias de concepção e utilização de jogos digitais por museus de arte serão delineadas, tomando como exemplo jogos criados por instituições como o MAC-USP (São Paulo), o Boijmans (Roterdã), a Tate (Londres), o Thyssen-Bornemisza (Madri), a NGA (Washington), o MoMA (Nova York) e o próprio MASC (Florianópolis), museu que promove esta oficina. Tais exemplos serão jogados e pensados em duas perspectivas educacionais, complementares entre si: como dispositivos de mediação cultural e como objeto artístico-cultural que evidencia a posição ativa do visitante dos museus na contemporaneidade.

Serviço: 

Programas Públicos MASC
Data: 17/05/2018 (quinta-feira)
Horário: das 14h às 17h30
Local: MASC / CIC

Inscrições: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Vagas limitadas.

 

Fonte: Ascom FCC

Por Josué Mattos
Curador do Museu de Arte de Santa Catarina - MASC


A ideia de criar um museu de arte para Santa Catarina data de 1944, afirma o professor Alcídio Mafra de Souza, enquanto frequentava a Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro com o pintor José Silveira D'Ávila, o escultor Moacir Fernandes e o arquiteto Flávio de Aquino. No entanto, foi em 1948, "férias findas", que o projeto aventado ganharia um esboço com fortes contornos, parecendo-lhes injusto que ficasse no papel. Com o surgimento da Revista Sul, em janeiro deste mesmo ano, reflexões e emergências relacionadas ao parco espaço destinado às linguagens artísticas e literárias se tornaram pauta de relevo do projeto editorial. De modo que a quarta edição questionava a possível vinda de Marques Rebelo a Florianópolis como responsável pela "primeira exposição de arte contemporânea" na cidade. Amplamente documentada pela revista, a exposição, encerrada em 06 de outubro de 1948, gerou o primeiro museu de arte de Santa Catarina, o que Salim Miguel atestou, anos mais tarde, em Biografia de um Museu: "como resultado imediato da exposição, surgiu um pequeno Museu, o pátio Marques Rebelo, sob a guarda de Martinho de Haro". Mas, ao oficializar o museu com o decreto 433, de 18 de março de 1949, a autonomia da classe artística seria retirada paulatinamente, iniciando o processo, ainda vigente, que fez Salim Miguel questionar, na Revista Sul de abril de 1951, "a quem caberá a culpa a quase natimorte e consequente paralisação do museu?"

Ao fim das férias de 2018, avançamos o projeto que ainda esboça um museu para Santa Catarina, equipamento educacional capaz de colaborar sistematicamente com o fragilizado projeto de cidadania que vemos polarizado, promotor de ódio, insegurança e turvas perspectivas de futuro, não fosse o fato de continuamente ser tolhido por táticas políticas que encerram sua sistematicidade, mantendo o museu um morto-vivo, inexpressivo e desarticulado.

Com desterro desaterro - arte contemporânea em Santa Catarina, promovemos um encontro não exaustivo de figuras pertencentes a diferentes gerações, que entendem o território da arte vinculado a percursos, trajetos e envolvimentos mútuos. Que convivem continuamente com isolamentos e imersões, enquanto produzem valor simbólico, econômico e social no mesmo grau que fazem emergir questionamentos sobre a esfera pública e a diferença. Que praticam e difundem arte como sedimentação do sensível, que constroem espaços de contemplação e problematizam leituras de mundo, atos de aculturação e resistências contra despropósitos que marcam a história e o tempo presente.

Acrescentar a letra "a" em desterro tem duplo sentido, ideia que devo à artista Raquel Stolf: prevê o desaterro como substantivo e como verbo conjugado em primeira pessoa do singular. No primeiro caso, trata-se de escavações que trazem à tona questões submersas. No segundo, faz referência a quem desaterra, abre trincheiras, revira superfícies. Esperamos que o desaterro do Museu de Arte de Santa Catarina, 70 anos após sua criação, marque a revisão historiográfica proposta e, mais importante, a tomada de posição da sociedade face ao cenário que compromete a salvaguarda do museu e de seu acervo. Precisamos capacitar, preservar, constituir equipes para o MASC. Do mesmo modo, devemos conservar, pesquisar, difundir e apoiar a prática artística. Necessitamos de ações sistemáticas e de apoio do público em geral para uma possível gestão público-privada do MASC, que, salvo engano, terá dificuldades de sair do buraco em que se encontra, resultado da desestruturação projetada pelo poder público.