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O prédio da Alfândega, construído em estilo neoclássico e com matéria prima de boa qualidade, segundo critérios da época, localizado no atual centro histórico de Florianópolis, foi inaugurado em 29 de julho de 1876, data que coincidia com o aniversário da princesa Isabel. Alfredo D´Escragnolle Taunay era o Presidente da Província, a obra custou, à época, 120 contos de réis. (SOUZA, 1992, p.49 – VEIGA, 2008, p.228). 

O prédio, imponente até o tempo presente, tem dois pisos, contabilizando mais de 1300 m.²[1]

A entrega do prédio não significou que a nova Alfândega começou a operar nessa data, uma vez que depois dos festejos da inauguração o prédio precisaria passar por vistorias técnicas. (O Despertador, Desterro, 25 jul 1876, ano XIV, n.º 1401, p.1). Apenas em fevereiro de 1877, depois da inspeção do eng. Sebastião de Souza e Mello, é que o prédio foi definitivamente ocupado e começou a operar. (VEIGA, 2008, p.228)

As atividades alfandegárias no imponente prédio duraram mais de 90 anos, encerrando-se apenas em 1964 em decorrência da decadência e fechamento do porto de Florianópolis.

Esse prédio substituiu o anterior que, em 24 de abril de 1866, misteriosamente, explodiu. Segundo periódicos da época a explosão da Alfândega foi de grandes proporções, uma vez que:

Serião 7 horas, horrível explosão, originada, por centro, de matéria inflammavel existente na mesma alfândega, fez abbater todo o edifício até os alicerces, levando pelos ares grande parte do teclo (sic), indo cahir a grande distancia; a detonação foi tal que fez estremecer os edifícios mesmo os mais distantes da praça; muitas vidraças inutilisadas. O incêndio maifestou-se immediatamente, e os sinos das igrejas davão sgnal dellle!! (O Despertador, Desterro, 24 abr 1866, ano IV, n.º 342, p.1)

O jornal Despertador continua extensa notícia acerca da tragédia da Explosão da Alfândega, listando – inclusive com os nomes - mortos e feridos: “De tão terrível catastrophe resultou a morte de dez pessoas; tres gravemente feridas e doze levemente, cujos nomes abaixo mencionamos.” (O Despertador, Desterro, 24 abr 1866, ano IV, n.º 342, p.1)

[1] O piso térreo tem 927,36 m.² de área (50,40m x 18,40m) e o piso superior 313,20m.² (18m x 18,40m)

(por Rodrigo Rosa)

Referências

SOUZA, Alcidio Mafra de. Guia dos bens tombados, Santa Catarina. Florianópolis, SC: Fundação Catarinense de Cultura; Rio de Janeiro (RJ): Expressão e Cultura, 1992

VEIGA, Eliane Veras da. Florianopolis: memória urbana. 2. ed. rev. ampl. Florianópolis: Fundação Franklin Cascaes, 2008.

VÁRZEA, Virgílio dos Reis, Santa Catarina: A ilha, Florianópolis: IOESC, 1984